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Até onde pode ir a liberdade de outra pessoa?

Devo ficar inconformado?

Agora que muitas pessoas estão começando a ser vacinadas aqui no Brasil e a ansiedade das pessoas querem se encontrar aumenta. Comecei a ver muitas pessoas realmente se encontrando e aglomerando. Mas, aí vem a questão. Até onde as pessoas têm o direito de se aglomerar ou não? Minha inconformidade é justificável?

Sei que existe a pressão da necessidade humana de querer se relacionar e ter o contato físico entre outros de sua espécie, porém, seria esse o momento certo para fazer isso? Existe também a necessidade dos negócios e comércios gerais que precisam de pessoas presencialmente para funcionar (e.g. cinemas) e estão pressionando governos a liberar tudo.

Esse é o cenário que temos e aí fica o dilema de quão ruim eu posso achar a atitude de certas pessoas e se eu tenho o direito de achar ruim (se me diz respeito).

O que nos incomoda?

Nisso vai de encontro com o nosso senso de justiça e comunidade (seja na esfera da grande sociedade como um todo, como da sua família; em diversos níveis). Se eu questionar se eu não vou gostar de você por você acreditar em horóscopo? Quais são os meus critérios razoáveis para me justificar da minha atitude? Talvez eu acredite que pessoas que promovem o horóscopo possam trazer a anti-ciência consigo e incentivar o ocultismo? Não sei, em suma, qual seria mais ou menos esse caminho. Mas vou dar um exemplo mais efetivo.

Bolsonaro

O que faz as pessoas odiarem o atual presidente do Brasil, o Bolsonaro? Não deveria ser de livre escolha as pessoas gostarem ou não de outras? Não seria exatamente isso o exercício da democracia onde todos têm o direito ao voto? O que explicaria a raiva de pessoas que não gostam do Bolsonaro a não gostar também das pessoas que apoiam o mesmo, é o fato que o Bolsonaro, diretamente ou indiretamente está prejudicando o país e os moradores dessa nação. Não é mais uma questão ideológica simples, mas os efeitos que esse apoio pode trazer.

Isso implica em forçar as pessoas a acreditarem em medicamentos inefetivos e que podem piorar a situação em meio a pandemia, atrasar as vacinas de chegarem no Brasil e etc. Pessoas literalmente morrendo por causa de uma má gestão. Pessoas que perderam seus familiares estão sofrendo por causa disso tudo. Ou seja, a pessoa que apoia o Bolsonaro, indiretamente, matou o seu parente que morreu devido ao vírus na pandemia (em diversos níveis e proporções de culpa).

Como combatemos

Sabemos que nem todos (até o momento) não tomaram as duas doses da vacina aqui no Brasil (graças a Deus o Brasil ainda não copiou os estadunidenses quanto ao não querer tomar vacina; ainda temos o lema "de graça? até injeção na testa") e temos o fato que mesmo depois de ter tomado as duas doses, sempre existem chances de contaminação.

Outro fator importante é que a transmissão está comprovada que acontece de pessoa para pessoa. Ou seja, passar álcool gel, usar máscara e medir a temperatura, não existe garantia de 100% de efetividade contra o vírus (sendo, só a máscara mais efetiva, porém precisa ser PFF2).

A forma como devemos tratar o vírus é muito real e importante. Devemos acima de tudo tomar cuidado sempre. E será com a combinação de ações que será a melhor forma de combater o mesmo (virando algo endêmico ou não):

Usar máscaras PFF2; Manter a distância social (nunca se aglomerar); Tomar vacina; Não ficar em locais fechados sem ventilação.

Banalização da morte

Ainda temos mais de 200 mortes por dia aqui no Brasil (bem menos da marca de acima de mil mortes surreais que chegamos a ter). Porém, como foi rápido, as pessoas desumanizam tudo isso e encaram agora apenas como mais um número.

Imagine todos os dias acontecer um acidente aéreo no Brasil matando todos os passageiros. Você ainda acharia isso baixo? Eu nunca normalizei isso e nunca estaria tudo bem.

Genocida

Assim como as pessoas que chamam o Bolsonaro de genocida, podemos dizer que as pessoas que compactuam com ele realizando a prática da aglomeração, ou seja, estão no mesmo time do Bolsonaro. Não acha isso razoável?

Estou me referindo a pessoas que poderiam perfeitamente trabalhar dentro de casa, isso excluiria os porteiros e motoristas de ônibus, por exemplo. As pessoas não fazem diferença se estão em casa ou não. Essas pessoas são as que estão do lado do vírus e ajudando a matar mais gente. Sim, essas pessoas que têm a liberdade de escolha de ficar em casa, fazem esse desfavor para a sociedade.

Resumo

Resumindo, se eu vejo alguém extremamente inconformado com o governo atual em sua fala, mas continua aglomerando; para mim, ambas as pessoas estão fazendo alinhadas e apenas da boca para fora que seja esse inconformismo.

© denis lee.RSS