Baunilha
Se existe algo que eu costumo fazer muito é deixar as coisas mais padrões possíveis. Ou seja, personalizar muito, infelizmente, não faz parte da minha filosofia quando uso sistemas altamente personalizáveis (ou não).
Ou seja, quando começo a usar algo, costumo deixar as coisas exatamente como estão. Só vou alterar algo no meu processo, apenas quando algo realmente me incomoda ou para atividades realmente repetitivas. Caso contrário, eu não procuro lugar para me coçar.
Um bom exemplo disso é a publicação desse blog. Eu poderia seguir o caminho comum de fazer os commits e pushs tranquilamente, porém, isso se tornou uma pequena dificuldade/barreira que me impedia de querer escrever (só de pensar na chatice de publicar, me fazia desistir de escrever algo). Nesse caso, eu fiz um script que torna a publicação mais fácil de maneira bem ridícula.
Lembro que eu gostava muito de personalizar as coisas. Uma das primeiras distribuições Linux que usei (e me encantei) foi o Slackware. Nele você precisava fazer todas as configurações, isso fazia você aprender sobre o sistema, personalizar ele e, assim, com todo o conhecimento adquirido, dar a liberdade de fazer qualquer alteração no mesmo. Porém, após eu trocar de computador, foi muito trabalhoso personalizar novamente. E com isso, tive que trabalhar para deixar toda a configuração portátil. E mesmo depois de deixar ele portátil, eu precisaria atualizar ele a cada atualização da distribuição e a decisão de determinados pacotes que a distribuição ditava em suas novas distribuições.
Enfim, me vi mais configurando, personalizando (seja para deixar mais bonito ou mais eficiente em minhas atividades) do que usando o meu computador com o propósito que ele foi adquirido. Esse foi o meu grande pontapé em desencanar muito em personalizar demais. Largar completamente a estética (ou deixar em completo segundo plano) e ser muito mais funcional/prático.
Só para ilustrar, hoje no Sway eu utilizo a borda da janela ativa de magenta. Sim, a cor mais bizarra possível e que possa chamar mais a atenção. É bonito? Não (e não é horrivelmente feia também). Mas cumpre bem com o seu papel.
Outro motivador foi as minhas jogatinas nas lan houses com meus amigos (jogando o glorioso CS 1.6). Eu sempre utilizava mouse invertido, com uma sensibilidade específica e etc (não me pergunte o motivo). Sempre que eu trocava de computador, eu demorava alguns bons minutos calibrando o meu setup específico. E, caso você nunca tenha ido a uma lan house, basicamente você paga pelo tempo que está utilizando o computador, seja jogando ele ou fazendo o seu setup fresco. Trocar o computador e fazer todo o ritual antes de jogar era algo comum que eu simplesmente aprendi a usar as configurações padrões.
Mais um caso foi quando eu cogitei tentar aprender outro layout de teclado para aumentar a velocidade de digitação, evitar tendinite e otimizar a forma como eu uso a minha preciosa energia digitando. Adivinha como todos os teclados (de alfabeto romano) utilizam? Pois é, desisti na hora. Não, obrigado.
Nem tudo são flores, obviamente. Hoje em dia, eu dificilmente acabo vendo a forma de personalizar ou tenho preguiça com mais freqüência em tentar solucionar um problema de usabilidade em minhas ferramentas. Simplesmente engulo o problema ou levanto a bunda da cadeira quando realmente estiver me irritando de verdade.
© denis lee.RSS